O Rei


  - Porquê tanto ódio? - Perguntou o menino. - O que esse pobre infeliz fez para merecer uma visão tão triste? 
Porque tirar de um homem seus amigos, aliados e a mulher amada? 
Quão cruel é destruir a alma de alguém sem nem ao menos saber o motivo? 
Quão estúpido é arrancar do coração pesaroso o amor por sua terra natal? 
Por qual motivo eu tenho que usurpar a fé, a segurança, a amizade e o amor desse moribundo?
Onde está a justiça num impasse tão injusto? 
Porque eu tenho que fazê-lo ver todos caírem por ele, um por um, apenas para proteger sua vida? 

- CALA A BOCA E JOGA LOGO! - Gritou o outro menino.

- Xeque-mate. - Sussurrou em lágrimas.

Presunção


Um dia a coroa sumiu.
Acusaram o pobre bufão.
Gatuno! Maldito ladino!
Desperado! Risonho ladrão!

Mataram então o coringa.
Seu grito ecoou no salão.
Atraiu o jovem príncipe,
Veio com seu novo brinquendo em mãos.

Era uma bela roda dourada.
A nova morada
Do seu leão
De madeira o qual ganhara uma vez como presente
 do bufão.

Impulso


Sorriso que brilha no escuro.
Impuro.
Loucura da forma mais
Pura e insegura.

Sombra da ordem enlouquecida
Sob uma mente caótica,
Desprotegida dos 
Prazeres.

Entrega-se sorridente
Ao calor latente,
Ao brilho da carne e suor.

Profunda loucura.
Penumbra escura
Do caos imerso em luxúria.

Fim de Filme


Dama, donzela
Singela
Tão bela
Nos campos floridos.

Sonho do guerreiro cansado,
Assombrado
E assustado
Pelo fantasma da guerra.

Sombra violenta da morte,
Má sorte
Que contamina a mente.

Conforta-se com um sonho
Tristonho
De uma dama que já não o espera.


Ignição

O céu limpo mostrava todo o esplendor da noite nas montanhas do norte. Em umas das montanhas um mosteiro especialmente iluminado podia ser visto no alto topo, quase que tocando o céu. Dentre as estrelas surgia um brilho a mais. Um brilho escarlate que se aproximava cada vez mais até que uma grande explosão pôde ser ouvida próxima à montanha.

Os monges, alguns dos poucos dominantes das artes secretas, despertaram de sua meditação e se dirigiram ao local da explosão.
O fogo cobria a encosta da montanha, mas sem espalhar-se. Pelo contrário, estava diminuindo e recuando em direção ao centro. Em meio as chamas, uma pequena silhueta tornava-se visível. Um dos jovens monges se aproximou, e idenificou o objeto.

- É algum tipo de tecido - disse o jovem - mas não está queimado.

E para sua surpresa o tecido se mecheu, expondo uma pequena e delicada mão.

- Mas o que... É um bebê! - Exclamou o monge - Tem um bebê aqui. Tragam água rápido.

E os monges levaram a pequena criança para o mosteiro. Era um pequeno garoto com não mais que um mês de vida. As pessoas do vilarejo mais "próximo" não sabiam nada sobre nenhuma criança desaparecida e nem mesmo houve qualquer mulher grávida naquele ano. Sem saber nada sobre a criança decidiram criá-lo. Deram-lhe o nome de Hien.

O Menino e a Lua



Havia uma grande casa azul no fim de uma rua pacata. Nela havia um quarto igualmente azul, com uma janela grande por onde a luz da lua entrava e cobria a silhueta de um menino deitado em sua cama.
O pobre menino mesmo depois de tomar seu copo de leite e escovado os dentes como sua mãe mandara, ainda não conseguia dormir. Rolava pela cama como se esta fosse um braseiro em chamas. Até que por fim desistiu de dormir.
A lua observava tudo de seu lugar no céu. Interessou-se pelo garoto que já de pé em frente à janela olhava-a indiferente. Então ela o questionou:
- Quê faz acordado menininho?
- Não consigo dormir. – respondeu tristonho.
- Então vai me admirar por toda a noite?
- Só até eu ter vontade de dormir.
- Se é questão de vontade, durma logo se está com sono.
- Tenho medo.
- De quê?
- De não abrir mais os olhos. De não acordar. De não poder mais me levantar e vir à janela.
 
 A lua comovida com o desabafo daquele garoto tão pequeno resolveu lhe ajudar. Cantou pra ele a música mais bonita que conhecia e nessa noite brilhou como se fosse o próprio sol iluminando o dia.
    O menino então se virou em direção à cama e disse:
- Vou dormir. Quem sabe sonho com você...
- Não tens mais medo?
- Não. Agora sei que tenho uma amiga zelando por mim. Boa noite Lua!
- Boa noite Menino! – Respondeu a Lua alegre.


E o Menino dormiu. Dormiu intensamente por toda a noite e todo o dia, sonhando com a sua nova amiga que lhe fora tão gentil. E continuou sonhando.
    Chegando a noite seguinte a Lua direcionou logo seu olhar para aquela casinha azul, por entre a janela, procurando seu amigo. Mas tudo que viu foi uma mulher sentada na cama chorando. E igualmente triste ela disse:
- Quem diria? Ele realmente não acordou.
E chorou.

Alaúde Esquecido.


Pobre artista desiludido.
Na vida perdido.
Pela sorte esquecido.
Lembra-se apenas de ter sofrido.

Toque novamente
Seu alaúde angelical.
Como um menestrel, alegremente
Em seu mundo musical.

Entregue-se
À musica.
Esquece-se
Como pulsa?

Dedilha tua cordas
Já douradas pelo
Por do sol nas montanhas.
Guarda-o no coração com todo zelo.

Ouça a melodia
Que não pode ser
Tocada, mas irradia
A felicidade de ter
A luz do dia.

Alegra-te bardo
Cansado.
Larga teu fardo
De ódio e será amado.

Mesmo que o céu esteja nublado
E não possas ver a lua,
Lembre que ela está ao seu lado.
Ela será sempre tua.

Mundo.


Pobre criança iludida,
Sonhando com heróis,
Justiça, uma vida
Feliz. Mas não há isto para nós.

Abra os olhos criança!
Seus heróis estão mortos.
O esquecimento é sua única herança.
Além de seus podres corpos.

Onde está sua justiça querida?
Onde está sua esperança?
Bem vinda à vida
Criança.

Você só tem uma chance.
Aja por você.
Faça com que você avance.
Esqueça isso em que crê.

A comida na minha
boca significa menos comida na sua.
Seja egoísta. Você tinha
Opção. Verdade nua e crua.

É você por
você.
Eu por
mim.
Ninguém por
todos.

Desista
E se entregue
Às trevas. Assista
O destino que segue
Os que ainda amam a justiça.