Sonho na Escuridão


Estava só.
Só comigo mesmo.
Torturava-me sem dó.
Tanta dor que até me esqueço.

Mergulhava suavemente
No meu mar de agonia.
Já não tão dolorosamente
Suportava o passar dos dias.

E mesmo com todo
O escuro da minha alma vazia,
Em meio ao lodo
E pó, um fio de alegria.

Surge então um novo mundo.
Uma razão de viver.
Tú que me tiraste do escuro.
Agora eu vivo por você.

Os dias agora eram brilhantes.
Sem mais trevas ou dor.
Vinham a mim coisas semelhantes
Ao tão aclamado amor.

Seus olhos de âmbar, brilho inesquecível.
Seus cabelos como fios de ouro.
Sua pele, seu cheiro, um invisível
Ramo de jasmim, e uma coroa de louro.

Minha deusa que assim
Como veio, sumiu.
Tirada de mim.
À força partiu.

Eu esperneava,
Amaldiçoava o destino cruel.
Gritava, chorava,
Lembrava do amor que um dia foi meu.

Mas então de súbito,
Abri meus olhos na escuridão.
Era apenas um sonho estúpido.
Maldita seja a solidão.

Após sonhar com o paraíso,
Retornei ao meu inferno.
Sem alegria, sem sorrisos.
Apenas um coração enferno.
Se debatendo em gritos.