Speculum Alchemi


A essência da perfeição,
O branco que alveja o vermelho.
Busca, obcessão.
A imagem refletida no espelho.

O leão verde vaga
Acompanhando o íntimo.
A espada logo saca
E aponta ao frasco límpido.

Refino do imperfeito,
Resulta na imperfeita perfeição.
Um vazio estreito
Criado à imagem da solidão.

Eis que o Leão Verde se uniu
Ao Leão Vermelho.
Assim surgiu
Como uma imagem no espelho.

Eram dois.
Ao mesmo tempo, um.
A unidade veio depois
Da dualidade de apenas um.

Descansa ao fogo da mudança
Junto à pedra bendita.
A harmonia que alcanças,
Como a vida por sí escrita.

Assim se vão as barreiras
E paredes da arte oculta.
Vermelho e branco unidos em centelhas
De metalurgia escura.

E que o sal de tuas vestes
Te transforme em sólido
Pois existes
Apenas para este propósito.

És o mercúrio volátil,
A lua que brilha agonia.
A musa do velho senil
Que ao menos lembra da luz do dia.