O Demônio.


Sou a máscara que sorri friamente
Enquanto as lágrimas caem.
Sou o porteiro que pacientemente
Assiste teus demônios que saem.

Sou o grito que você reprime.
Sou o filme que te deprime.
A mesma regra que te oprime.
A preguiça quando quer que te ensine.

Sou o monstro que você nega.
Sou a vela que você apaga.
Sou o prazer ao qual se entrega.
O demônio que mata a fada.

Feche os olhos e sou eu que você verá.
Durma e sou eu que vou sonhar.
Corra e sou eu que vou gritar.
Tenha medo de não poder me matar.

Eu sou aquela lembrança que você quer esquecer.
Sou a dor que te faz sofrer.
Sou o momento em que queres morrer.
Mas no final, eu também sou você!

Fada.


Fada.
Faz palavras lindas em minha mente.
Ladra.
Rouba-as apenas para brotarem novamente.



Enigmas Vazios.


Um poeta sem amor
É como uma ferida
Sem dor.
Final sem despedida.

Existe mas não vive.
com sentimentos alheios
Sobrevive.
Sempre, de enigmas cheio.

Um vazio impreenchível,
Disfarçado com um sorriso
De um vazio incrível.
Veste o inferno em paraíso.

Não me Esqueça.


Peço que não me esqueça.
Que me guarde na memória.
Não me tire da cabeça.
É tua a minha história.

Por você eu serei o arco-íris.
Mostrando que a tempestade se foi.
E voltaram os dias felizes
Que a chuva aos poucos corrói.




Fragilidade.


Tão frágeis são as pobres fadas.
Os demônios às maltratam.
Arrancam suas asas.
E por fim, às matam.


Poeminha no Escuro.


Escrevo, escrevo, escrevo.
Apago, apago, apago.
Apago tudo o que não devo.
Droga! Apaguei errado!


Lua de Outono.


Lua de outono que ilumina os amantes,
Envolve os sonhos belos,
Afasta pesadelos errantes
D'uma vida de flagelo.

Brilho sempre tão forte.
Brilha como se fosse imortal.
E de fato, somos todos levados pela morte
Mas a lua é sempre igual.

Abençoa os poetas confusos.
Dá-lhes tua luz sem fim.
Faz os pensamentos reclusos
Florecerem como em um lindo jardim.


O Colchão.


Calma e leve como uma nuvem turva
Planando no céu, pelo vento levada.
Encaixa-se suavemente, como uma luva.
Incubida do brilho mortal da espada.

Emana o brilho que afasta o mal.
Envolta pelo céu, abraça os sonhos,
Como um colchão angelical,
E deitados nele, anjos tristonhos.